já me perguntaram "algumas" vezes o que eu acho, acho que acham ou deixam de achar da "guerra contra o tráfico" no RJ... eu me nego a aumentar a rede de absurdos que tem rolado diariamente sobre o tema. lamento decepcioná-los. por ora, deixo um videozinho bem legal, que minha querida amiga Ma-Yara me mandou...
receitinha da juventude...
Ainda nessa vibe “remexendo o baú dos tempos idos” uma receita que sua avó não fazia (ou se fazia, era apenas para o seu avô, ao som de Bob Dylan), mas a cozinha maravilhosa de vandinha fazia... ah, se fazia...
3/4 de xícara de chá de margarina sem sal, 3/4 de xícara de chá de leite, 5g de maconha esfarelada (“esmurrugada”), 1 ovo. Bata por uns 3 minutos e acrescente 3/4 de xícara de chá de açúcar, 1 colher de chá de extrato de amêndoas, 3/4 de colher de chá de noz-moscada triturada. Misture 1 colher de sopa de fermento em pó (1 pacote) e 2 xícaras de chá de farinha de trigo peneirada. Bata na batedeira até virar uma massa homogênea. Coloque numa forma untada e enfarinhada e leve ao forno médio para assar até ficar dourado. Ainda quentes, pode-se acrescentar raspas de chocolate para enfeitar. Melhor se degustado morno.
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j.
paixão bandida
“Firme no seu processo de aproximação com a música brasileira – exposto até no trocadilho do título ‘O Rock errou’ – Lobão desfilou tocando tamborim pela Mangueira no Carnaval de 1987. Quase ao mesmo tempo iniciava a gestação de um novo disco, que deveria se chamar ‘Da natureza dos lobos’, nome de uma composição sua e de Bernardo Vilhena. A prisão no início do ano anterior [30/12/1986 quando chegava em casa dos estúdios da RCA, portando pequenas quantidades de maconha e cocaína], no entanto, estava longe de ser um caso encerrado. Em fevereiro de 1987, Lobão foi preso no Aeroporto Internacional do Rio ao voltar de Florianópolis com 1 grama de cocaína na bagagem. No mês seguinte, nova prisão pelo mesmo motivo, em Ipanema. Foi condenado a um ano. Mas sua hilaridade diante do juiz Paulo Panza da Vara Criminal da Ilha do Governador, acabou lhe tirando o benefício do sursis. Assim, no dia 20 de maio, Lobão foi encarcerado, primeiro na Polinter e depois no Ponto Zero.
O disco novo trocou de nome – para um mais apropriado “Vida Bandida” – e foi completado por intermédio de vários habeas corpus. A convivência com o submundo nos 32 dias que passou preso naquele ano, aguçaram sua sensibilidade social. Na cela da Polinter consagrada na expressão “alô galera da 11”, Lobão dividiu o boi (buraco no chão a título de privada) com, entre outros, os chefes do tráfico de Manguinhos, Gilmar Negão, e do Morro Santa Marta, Zacarias, ambos membros do famigerado Comando Vermelho. Lá, respeitou e se fez respeitar pelos traficantes. Tanto que, depois, ao subir no Morro da Mangueira, foi recebido com uma salva de tiros ritmados: o soldado de vigia o reconheceu e gritou ‘vidaaa, vida, vida, vidaaa bandidaaa rá-tá-tá-tá...”
DAPIEVE, Arthur. BRock: o rock brasileiro dos anos 80. 2ª ed. São Paulo: editora 34, 1996, pp. 49-50.
O bom da antropologia é que (me) permite pensar criticamente a partir de coisas que gosto (muito). O Rock, por exemplo, de estilo de vida passou a objeto de pesquisa. O Lobão, de paixão da infância a artefato cultural produtor de sentidos...
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| Roqueiros também amam: Lobão e uma fã, depois do show - Foto: by Lobon |
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j.
.velhos restos.
ela era a carne de primeira no balcão do açougue.
o bife fritando no óleo quente da tua chapa.
a sobra (com nervo retorcido) no canto do teu prato,
relegada a resto depois de te fazer sentir-se farto.
agora considerada (apenas mais) uma alternativa
frente à crise da tua bolsa
ou (o desejo de) subida do (teu viril) dólar.
mas,
não tenta mais requentar esse pedaço de carne.
agora é demasiado tarde.
ela virou comida congelada.
com prazo de validade vencido.
.30/10/2008.
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